quando os nossos corpos se separaram olhámo-nos quase a desejar ser felizes.
vesti-me devagar, o corpo a ser ridículo. disse espero que encontres um homem
que te ame, e ambos baixámos o olhar por sabermos que esse homem não existe.
despedimo-nos. tu ficaste para sempre deitada na cama e nua, eu saí para sempre na noite.
olhamo-nos pela última vez e despedimo-nos sem sequer nos conhecermos.
José Luís Peixoto, "A criança em ruínas"
Publicado por Katraponga em março 5, 2004 01:37 PMConcordo plenamente nesse ponto, a prosa poética dele é bastante superior à sua poesia.
Pessoalmente nada tenho contra ele, garanto. Inicialmente até observei com alguma atenção esse ressurgimento de um novo movimento romântico - nada de estranhar, aliás, numa sociedade em busca de recriar o seu passado - o que me decepcionou foi a permanência dele; uma aparente imobilidade e falta de evolução que me levou a pensar que, se calhar, o rapaz faz por fórmula e não tem mais nada para dar.
Ele ainda não me provou o contrário.
Mas sim, são opiniões.
Sempre gostei de te ler (desde os tempos do Pastilhas) e em nada objecto o facto de gostarem dele. Obviamente.
NSL, é uma opinião...
Eu gosto bastante do rapazinho, e por acaso até mais da prosa poética dele do que a poesia.
Afixado por: Katraponga em março 7, 2004 06:22 PMJá agora, o título foi muito bem escolhido.
Presumo que seja o "When we two parted" do Lord Byron. Que tem bastante a ver com a poética da Florbela Espanca, já agora.
Lamento...
a foto está excelente mas o o texto é uma lamechice - como aliás é toda a obra do José Luís Peixoto. O rapaz parece não saber sair do seu tom de Florbela Espanca (que ele tanto gosta!) e evoluir um pouco noutra direcção.
Só não compreendo é como a MRP (editora da Temas e Debates) ainda o atura - provavelmente sente alguma culpa parental.
Estás triste Diogo?
Afixado por: jacky em março 5, 2004 09:24 PMMas, tal como a SGM, adorei o texto, a foto condizente, e, especialmente, o título do livro, que em quatro palavras poderá explicar todo o sentido da passagem aqui transcrita.
Afixado por: Lane em março 5, 2004 07:21 PMAuch... Terrivelmente pessimista. Há sempre alguém que nos ama, há sempre alguém que amamos. Muitas vezes quem queremos não nos quer, e quem nos quer não queremos. Na vida, um encontro entre desencontros é uma raridade.
Há sempre alguém por perto disposto a oferecer-nos este e outros mundos. E normalmente esse alguém passa despercebido, ou quando não o passa e nos apercebemos da intensidade dos seus sentimentos é alguém que não nos atrai por aí além, diferente do que idealizámos para nós.
De repente, senti-me invadida por uma tristeza tão grande...
Boa escolha de excerto...
Afixado por: SGM em março 5, 2004 05:05 PMObrigada por continuares a visitar o meu blog sem vida. O teu está cada vez melhor. Agora n tenho muito tempo, mas logo que possa tenho de o ler com mais atenção :)
Afixado por: Madalena em março 5, 2004 01:55 PM